Em 2008, no GP de Cingapura, a Ferrari substituiu o famoso “pirulito” – bandeira posicionada à frente do carro que avisava o Piloto quando poderia arrancar com o carro após o abastecimento.
Passou a usar o sistema, onde o destravamento da válvula da mangueira de combustível estava aliado a luzes indicadoras no pit Lane.
Quem assistiu testemunhou uma cena grotesca. A mangueira sendo arrastada pelo carro – houve uma falha na automação do processo.
As piadas sobre o incidente não minimizam o imenso potencial de risco associado ao acidente – morte, incêndio etc.
No caso do Toddynho, se a causa da falha for o noticiado – “O sensor não atuou e não bloqueou o enchimento dos frascos de toddynho enquanto o tanque era lavado, causando a produção de lote com detergente”, podemos traçar um paralelo com o incidente de Massa.
Nos dois casos, o propósito de automatizar tem o propósito de reduzir o tempo de troca. Isto deve ser feito pois competitividade, diversidade e preço são a base da economia de mercado.
O problema é que sensores não pensam e não reagem de forma diferente em situações diferentes.
Longe de mim questionar o uso da tecnologia – como estaríamos sem ela? O problema está no processo de implementação.
No sistema SMED a redução da troca está em transformar ajustes em atividades internas e estas em atividades externas e esta dinâmica sempre levará a modificações , e ocasionalmente automatização dos processos.
Lições aprendidas e cuidados essenciais no modelo de projeto, principalmente quando automatização está envolvida:
1- Análise de risco no projeto é importante – não importa o tamanho da modificação. As planilhas do FMEA devem pecar pelo exagero e nunca pela omissão – ainda mais quando o produto envolvido for para consumo (alimentos e medicamentos).
2- Aplicação de RCM (quantitativo) é importante. Analisar em nível de componente ou elemento de máquina além de selecionar a política adequada de manutenção pode sugerir reprojeto.
3- Controle da mudança e avaliação da capabilidade devem ser partes inegociáveis do caderno de requisitos e validação.
4- Educação e conscientização dos operadores e mecânicos sobre sua responsabilidade com o consumidor.
Enfim, falamos do Pilar de Controle inicial, Pilar de Manutenção Autônoma, Pilar de Manutenção Planejada, Pilar de Educação e Treinamento e Pilar de EHS – resumindo o TPM.
Se o seu programa de TPM não tem como objetivo a confiabilidade de processo, reavalie. O modelo foi desenhado para isso.
Be reliable.