Interesssante o diálogo que presenciei dias atrás. O assunto era o endurecimento por parte do INSS quanto à questão de afastamento por doença no trabalho. Segundo meus colegas de conversa, o INSS agora tem relutado em aceitar o diagnóstico dos médicos das empresas, e estão enviando o trabalhador de volta ao trabalho com recomendações de tarefas adaptadas. Isto realmente passou a ser um problema, pois, a empresa não quer o ônus de um trabalhador “meia colher” e o INSS não suporta a carga de salarios por afastamento.
A questão é; como fica o sujeito? O trabalhador, claro.
Ser jogado de um lado pelo outro, como um fardo indesejável certamente não é o melhor dos mundos para ninguém, principalmente para aqueles que em tese estão com alguma patalogia.
Um grande amigo, até alguns anos atrás supervisor de produção e atualmente poeta assumido - Recomendo seu livro, Travessia – Zino Mendes, uma vez intercedeu de forma brilhante sobre um tema paralelo a este que estou tratando. Em uma reunião de supervisores comandada pelo RH a companhia discutia se os afastados deveriam ou não receber a PLR, já que não haviam participado dos processos produtivos durante o ano. Alguns supervisores inclusive alegaram que muitos dos afastados se aproveitavam da lei para simular doenças e desta forma não mereciam o bônus extra de final de ano. Moisés, (Zino) levantou-se e disse em alto e bom som:
- Deveríamos nos envergonhar de estarmos discutindo esta questão nestes termos. Se houvesse 100 pessoas afastadas e dentre elas apenas 1 verdadeiramente doente (se doença fôsse apenas as explicitas), por respeito a esta, deveríamos pagar a PLR incondicionalmente.
O Moisés tem razão. Christoph Dejour, o criador da Psicopatologia do trabalho, (recomendo seu livro “A Loucura do Trabalho” ) mostrou com pesquisas de campo e fundamentado com as teorias psicanaliticas o estrago que a organização do trabalho pode fazer com o trabalhador, quando o mesmo é tratado como objeto. É de Dejour a resposta à teoria ergonômica fundada no mecanicismo que impera em nossos ambientes de trabalho. O trabalhador é sujeito, e uma boa prática para prevenir Burnout, Stress e depressão no ambiente do trabalho, é criar um ambiente onde a organização do trabalho privilegie a liberdade do trabalhador em criar.
Este é o objetivo principal das equipes semi-autônomas – Resgatar o trabalhador como vetor da organização, como sujeito e não como objeto. TPM quando pensado desta forma ajuda.
Para meditar:
” A angústia pode inpulsionar, mas também antecede o sofrimento, e isto ocorre quando cremos que não há mais possibilidades. O Sofrimento é o limite, antes da doença.”
boas reuniões a todos ( a todos).